Morrer na Praia | A candidatura que não se concretizou

Atingido o final do prazo de formalização da candidatura às “Presidenciais 2011”, venho agora anunciar que não consegui reunir as 7.500 proposituras necessárias.

Estão, neste momento, contabilizadas 5.878 proposituras, além de umas outras escassas dezenas ainda por recolher e por isso não contabilizadas.

Assim, após meses de intenso esforço por parte de um punhado de pessoas que, sem meios nem estrutura se moveram por pura convicção, posso dizer que chegámos ao fim de um caminho com o sentimento de um sonho adiado. Fomos “morrer na praia!”

Quando anunciei a minha candidatura, sabia bem da dificuldade de tão dura meta e da possibilidade de não a alcançar. Contudo, depois de reflectir, entendi ser meu dever avançar e propor aos portugueses uma verdadeira alternativa ao “mais do mesmo” apresentado pelos cinco candidatos que se perfilam para as eleições.

Agora, chegados ao fim de uma luta fracassada, não posso deixar de apontar o dedo acusador à comunicação social, importante tentáculo do sistema nauseabundo que nos domina.

Nunca tive direito a uma só linha num jornal ou um segundo num telejornal! Nunca me foi concedida uma entrevista ou questionada uma posição sobre algum tema. Nunca foi feita a cobertura nem noticiada alguma acção de pré-campanha e recolha de assinaturas. Não fui convocado para os debates que estão de momento a ocorrer. Nada!

Não fora essa situação de discriminação e a formalização da minha candidatura – posso agora afirmá-lo com segurança – seria uma certeza.

Não falem, por isso, em liberdade de expressão ou igualdade de tratamento! A comunicação social promoveu os todos os candidatos do sistema e apadrinhou-os, mas a mim, incómodo, ao invés, votou ao total silêncio.

A comunicação social – e especialmente o serviço público – longe de servir os portugueses, está dominada por lóbis e limita-se a servir interesses, obedecendo às directivas do regime podre que nos afunda. Uma vergonha!

José Pinto-Coelho
22 de Dezembro de 2010