De direita, sim. Não no sentido propriamente cénico e parlamentar da expressão, mas na sua acepção original e originária, e, desde logo, mais pura e mais profunda: naquela que já levava a sociedade romana da Antiguidade a contrapor a dextra (ou mão direita, símbolo e sinónimo de destreza, agilidade e até de sorte) à chamada sinistra (a mão esquerda, canhota e canhestra, símbolo e sinónimo de desastre, da inabilidade e do azar.).
De direita, sim. Na medida em que é preciso romper caminho a eito e a direito, e nunca em ziguezague. Meter pela recta e rectilínea via, e nunca por desvios ou atalhos; seguir e singrar, em regular progressão, pelo directo e direito caminho, de sorte a cobrir — a vencer assim (sempre assim e só assim) a trajectória imposta ou proposta e talhada pela rota do percurso — geográfico, ideológico ou espiritual, vale o mesmo — que é suposto abrir-se.
Sim, de direita. Não se pode perder de vista a cardinalícia ideia de que é à direita de Deus-Pai que têm assento os Justos, uma vez que, à Sua esquerda, nem a gente sabe muito bem ao certo quem Lá se senta… (embora não seja difícil de calcular).
São estas, em suma — estas e não outras —, as razões de fundo, e de mais peso, que fazem da Direita um conceito anterior e superior aos demais.
[Texto adaptado de Rodrigo Emílio]



